domingo, 10 de novembro de 2013

Terça passada eu estava na aula de arte ocidental e... minha professora fala besteiras. Muitas besteiras. A aula é um saco, desorganizada... Eu só anoto as informações que não são repetidas... Juro que aquela aula poderia ser dada em 45 minutos se ela não repetisse tudo com os mesmos termos e contasse sobre sua vida particular.  Eis que surge Puberdade do Munch na apresentação de slides. Estudo tudo de uma forma técnica, claro que tenho admiração pela obra de alguns artistas, preferência por alguns movimentos, mas deixo isso para fora da sala de aula. Quando esse quadro surgiu no datashow eu só lembrei de quando a psicóloga me perguntou sobre como eram os meus sentimentos, minha tristeza e estranhamento em relação à vida. Eu senti tudo isso junto quando esse quadro surgiu. Apesar de eu já ter saído da puberdade, ainda me sinto frágil e as inseguranças parecem ter proporções maiores agora, bem ou mal, são as mesmas. Daí também lembrei de uma teoria que tenho na mente, uma sobre a vida se resumir a sextas e sétimas séries que se repetem incansavelmente. Atitudes, situações, sentimentos. De repente, tudo parece igual aos 12 anos de idade. Não falo só de mim. A corrida atrás de meninos, as tentativas de autoafirmação, as provocações, os deboches, tudo presente em pessoas próximas a mim. E eu nem aí pra essas pessoas, como uma pré-adolescente rebelde, mas consumida por preocupações, dúvidas, inseguranças.


Estou pensando em largar o acompanhamento psicológico. Na verdade, já falei pra minha mãe (que quase soltou fogos de artifício). Não sei se pago essa semana e não vou mais, ou se pago essa semana e mais uma consulta pra me despedir. Despedida. Des-pe-di-da. Da psicóloga que me mandou andar descalça e ir ver a paisagem do Pão-de-açúcar como se isso fosse resolver meus problemas. De qualquer forma, eu preciso desse tempo que passo lá pra aumentar minha carga horária no projeto de extensão, estudar, me exercitar, me dopar. Já desisti de ser normal, ou voltar ao meu normal, porque o meu estado anterior ao merda é o estado de bosta. Eu só sou assim, talvez eu só precise de autoaceitação, não de mudanças.

3 comentários:

  1. gata, primeira vez que vejo seu blog, e serio, quero te abraçar!
    seu blog é incrivel e eu sempre tento ser normal, achando que preciso me mudar e na verdade, ser normal é so mais uns dos padrões da sociedade.
    depois passa la no meu. foorça ;*

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  2. Ola,
    Qual curso você faz?
    Eu acredito que o transtorno alimentar nos faz querer regredir aos tempos de nossa infância, o corpo pequeno, a atenção e cuidados que recebemos... Uma psicologa já me disse isso uma vez e eu negava, mas agora eu vejo o quanto tenho medo de crescer e estou me escondendo atras de uma doença.
    Autoaceitação e amor próprio.
    Fique bem!
    Beijos

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  3. Fiquei encucada com o lance de andar descalça... mas tudo bem.

    Autoaceitação é algo tão lindo, tão bom. Tudo bem que não é assi, um estalar de dedos e shazan! Mas a partir do momento que tu começa a te aceitar, ao contrário do que muitos pensam, tu não aceita nada de ruim. Na minha humilde opinião, autoaceitação é o processo definitivo para mudanças necessárias.

    "De repente, tudo parece igual aos 12 anos de idade."
    Esses dias estava pensando nisso, eu lembro que quando eu tinha meus 14 anos assistia F.R.I.E.N.D.S e não via a hora de ser adulta, poder tomar minhas decisões, errar e não estar nem aí. Hoje, aos 22, estou morando com minha mãe, sem emprego e repensando a minha vida. Mas não é que lembrei dos primeiros episódios, onde a Rachel deixa a vida que ela levava de lado e recomeçou sendo garçonete do café que os amigos dela frequentavam, e algumas temporadas depois, lá estava ela, uma mulher de sucesso.

    Abraços, e não desista de ti não.

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