sábado, 23 de novembro de 2013

Ela disse a(té dezembro)deus

Até a data da viagem eu ainda estava em dúvida se iria ou não, pelas provas, trabalhos etc... Fui. Durante a ida, tive a brilhante ideia de ligar pro meu pai. Não me arrependi. Eu precisava da grosseria, da humilhação, das mentiras. Só assim eu pude ter certeza de que não dá. Não dá pra sentir falta, porque sinto falta de algo que não existe mais (a relação da infância com uma pessoa idealizada). E assim começou a saga da tarja preta com cachaça.

Levantamento de Ouro Preto:
2 caixas de rivotril ingeridas
Grande contribuição para ingerir 6 litros de cachaça em 4 dias
6h de sono nesse intervalo de tempo
2kg a menos
2 caixas de Franol adquiridas
Não lembro de mais nada

Dieta da ressaca: -2kg em 4 dias e 3 noites. Recomenda-se subir ladeiras.

Eu não lembro de ter conseguido me desligar da minha rotina por tanto tempo. Também não lembro de ter ficado tão angustiada como na volta. Pois bem, deixei minha diversão lá.

Agora, estou lidando com minhas frustrações por não conseguir sucesso em nada ao tentar fazer tudo ao mesmo tempo. Finalmente disse à psicóloga que não dá mais e pretendo voltar lá somente para entregar o papel do depósito no banco. Chorei muito, porque tentei. Eu sei que tentei, mas não deu. Não tenho mais conserto e lidar com os fatos não ajuda, só piora. Terei tempo livre...
Talvez até mais do que uma simples quinta-feira à tarde. Furtaram meu celular dentro da igreja em que faço trabalho voluntário pela universidade. Eu tava tão dopada que nem chorei. Quando tirei tudo da bolsa pela terceira vez e vi que realmente haviam me furtado dentro da área de funcionários, tomei mais remédios. Cheguei em casa, pedi desculpas e acendi um cigarro... na frente da minha mãe. Só faltava ter tirado a blusa e mostrado a tatuagem.

Acho que sairei do projeto de extensão. E ganharei mais duas tardes livres.

Mais uma vez, eu tentei. Tentei consertar as coisas, correr atrás, ter alguma experiência no currículo (com um trabalho voluntário). Mexeram na minha bolsa na área de circulação dos funcionários, sabe? Eu não ligo de gastar dinheiro de passagem, gastar duas tardes, lidar com gente não tão educada... Mas ser furtada por funcionários da própria igreja já é um pouco demais. Estou muito sem saco pra ser alocada em outra igreja, estudar uma terceira vez pra fazer as mediações. Mais uma vez eu me coloco na posição de vítima das circunstâncias e acho que tudo é mais complicado quando é pra mim.

É como se eu tivesse uma lente em frente aos olhos que só me permitisse enxergar o lado negativo de cada coisa.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Preciso acordar em menos de três horas, mas estou pintando as unhas, pois viajo amanhã após a aula. 
Tô inchada de tudo... como eu queria poder tomar mil laxantes e diuréticos. Se eu fizer isso, terei de faltar... e reprovo numa matéria, já estourei o limite de faltas. Que sensação horrível... de noite e de manhã cai a ficha das coxas enormes, da barriga e cara inchadas. 

Hoje, consegui entender como funciona minha culpa em relação à comida (principalmente à comida que como na rua). Tenho uma dificuldade absurda para explicar sentimentos, compreendê-los. E eu simplesmente consegui. E além da culpa, me senti mal por não ter com quem dividir aquilo naquele momento, alguém pra me acalmar... Nunca tive. Tudo o que eu ponho pra fora pras pessoas passa por uma censura dentro da minha mente. Foi-se o tempo da espontaneidade. 

Enfim, quando como por estar deprimida e querer me consolar, sinto como se tivesse feito algo muito ruim a alguém. É um arrependimento grande demais que me põe pra baixo e ocupa a minha cabeça até eu não conseguir pensar em mais nada, a não ser naquilo que acabei de comer. E pra aliviar a culpa da comida, eu, muito esperta que sou, compro cacarecos. Comprar acalma... até o cartão ser bloqueado e chegar a fatura em seguida. Mas antes de dormir e na manhã seguinte... deprimo de novo. Ciclo vicioso esse. 

O legal é que, após perceber isso, vou viajar. Ou seja, todas as refeições feitas na rua. Mais legal ainda, é Ouro Preto. Comida mineira. Preciso finalmente admitir que não tenho condições emocionais pra passar todo esse tempo fora de casa. Ainda nem saí de casa e já quero minha mãe, minha casa, maçã verde, tv, novela das 6.

domingo, 10 de novembro de 2013

Terça passada eu estava na aula de arte ocidental e... minha professora fala besteiras. Muitas besteiras. A aula é um saco, desorganizada... Eu só anoto as informações que não são repetidas... Juro que aquela aula poderia ser dada em 45 minutos se ela não repetisse tudo com os mesmos termos e contasse sobre sua vida particular.  Eis que surge Puberdade do Munch na apresentação de slides. Estudo tudo de uma forma técnica, claro que tenho admiração pela obra de alguns artistas, preferência por alguns movimentos, mas deixo isso para fora da sala de aula. Quando esse quadro surgiu no datashow eu só lembrei de quando a psicóloga me perguntou sobre como eram os meus sentimentos, minha tristeza e estranhamento em relação à vida. Eu senti tudo isso junto quando esse quadro surgiu. Apesar de eu já ter saído da puberdade, ainda me sinto frágil e as inseguranças parecem ter proporções maiores agora, bem ou mal, são as mesmas. Daí também lembrei de uma teoria que tenho na mente, uma sobre a vida se resumir a sextas e sétimas séries que se repetem incansavelmente. Atitudes, situações, sentimentos. De repente, tudo parece igual aos 12 anos de idade. Não falo só de mim. A corrida atrás de meninos, as tentativas de autoafirmação, as provocações, os deboches, tudo presente em pessoas próximas a mim. E eu nem aí pra essas pessoas, como uma pré-adolescente rebelde, mas consumida por preocupações, dúvidas, inseguranças.


Estou pensando em largar o acompanhamento psicológico. Na verdade, já falei pra minha mãe (que quase soltou fogos de artifício). Não sei se pago essa semana e não vou mais, ou se pago essa semana e mais uma consulta pra me despedir. Despedida. Des-pe-di-da. Da psicóloga que me mandou andar descalça e ir ver a paisagem do Pão-de-açúcar como se isso fosse resolver meus problemas. De qualquer forma, eu preciso desse tempo que passo lá pra aumentar minha carga horária no projeto de extensão, estudar, me exercitar, me dopar. Já desisti de ser normal, ou voltar ao meu normal, porque o meu estado anterior ao merda é o estado de bosta. Eu só sou assim, talvez eu só precise de autoaceitação, não de mudanças.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Por que tenho tanto apego ao que me faz mal? No início, há uns meses, eu me sentia mal porque não falava quase nada que me incomodasse para a psicóloga. Inventava qualquer coisa para jogar conversa fora, discutia comigo mesma sobre reality show (porque ela só fazia rir). E aí eu me sentia presa, precisando de ajuda, mas sem conseguir pedir... Piorei, precisei ir ao psiquiatra, tomar remédios... Continuei quase a mesma coisa, sei lá, a pressão da faculdade me faz pegar no tranco. Continuo com o acompanhamento psicológico  e agora, que consigo falar as coisas, volto ainda mais abalada que antes. Porque, para estruturar uma fala, é necessário o mínimo de raciocínio. Com esse mínimo de raciocínio sobre a minha vida, todas as fichas já caem e eu tomo um choque de realidade. E, talvez, a minha realidade seja distorcida. Se eu tenho uma imagem distorcida de mim, por que não teria uma imagem distorcida de toda a realidade que me cerca?
Quando estava chegando em casa, não pensava mais, só sentia uma determinação muito forte para colocar fim a isso tudo. Pela primeira vez, não pensei em sobre o constrangimento de ser um presunto, o velório, o enterro, a falta de gente para carregar o caixão. Eu só teria um fim. Esse foi um perigoso passo que eu dei para não melhorar.
Eu sabia que tinha falhado antes de acordar, não achei caixas fechadas de medicamentos. Os remédios não foram o bastante, mesmo em excesso. E como pobre compra remédio dia 31? Não compra, só fica sofrendo com os efeitos de superdosagem mesmo. E bem quieta pra não tomar esporro.